O Cavaleiro de Ouro
Dizem
que antes da formação do povoado da antiga "Itacoatiara",
campeava por toda a extensão da praia um cavaleiro
todo de ouro. Todas as noites quando a lua surgia de dentro
do seio das águas, o cavaleiro montava-se em seu cavalo
e saía a irradiar luz praia acima, praia abaixo.
De longe se escutava o tintinar dos estribos e o estalar do
chicote no ar.
O cavaleiro desenfreado, em pouco tempo, conseguia esconder-se
no Morro de Itacoatiara, cruzando a Praia dos Afogados, alcançando
a Praia do Moleque, galgando a Chapada da Cancela que dava
as costas para a Praia das Assombrações. Na
descida da Cancela, o cavalo começava a se desmantelar
em uma tão grande corrida que nenhum olho humano conseguia
mais desvendar o seu desdobramento: o cavalo de ouro espelhando
à luz da lua, de repente se transformava em dois cavalos;
os dois cavalos se emparelhavam e se transformavam em quatro
cavalos; os quatro cavalos se emparelhavam e se transformavam
em oito cavalos; os oito cavalos se emparelhavam e se transformavam
em dezesseis cavalos; os dezesseis cavalos se emparelhavam
e se transformavam em trinta e dois cavalos.
Ninguém jamais conseguiu contar quantos cavalos cobriam
toda a extensão da praia pelo encandeamento do ouro
no reflexo da lua. Quando chegavam a uma certa altura da praia,
os cavalos iam se aconchegando de dois em dois, até
se transformarem em um único cavalo que penetrava na
"Pedra D'água". Do encontro das duas forças,
saía um estrondo que ecoava pelo céus, atingindo
as nuvens que se derramavam cobrindo toda a terra.