Ainda
não existia a separação dos astros celestes,
quando uma das principais estrelas chamada "Garatuí",
que cansada de tanto brilho dos olhos dos seus admiradores sobre
o seu lindo corpo, fez a desunião entre o Sol e a Lua.
Por
cima de todos os morros da Itacoatiara luziam os astros em direção
à jovem estrela. Garatuí, por ser uma jovem rival
da matrona lunar, resolveu escondê-la debaixo de um pé
de junco arrancado, só para ver que decisão tomaria
o Rei de todos os astros.
O
Sol, que era o verdadeiro e famoso cavalheiro do mundo celeste,
por seu brilho incandescente, no seu reinado, rodeado e circundado
pelo brilho opaco de todos os seus amos, espalhou todos os seus
vassalos pelo infinito afora, em busca de sua eterna amante.
O Rei ficou muito furioso e de tanto rodar em torno da Terra,
girando sem cansar, em poucos anos estava quase arredondado;
sua companheira, debaixo da palma do pé de junco arrancado,
de tanto esforço para ver quando o seu amante passava,
ora ficava redonda, ora comprida e quando o vento soprava mais
forte a palma quase seca comprimia a pobre rainha, que aos poucos
deixava fugir seu reflexo por duas pontas bem delgadas, formando
assim as suas crises (fases) lunares.
Garatuí,
durante todos os dias na passagem do sol, se deitava em um monte
de areia, que ela obrigou os vassalos do Rei a peneirarem e
a perfumarem com o aroma da natureza, enquanto outros foram
obrigados a cavar um imenso poço, para ela se banhar
todas as vezes que o sol aparecesse. Um
certo dia, Garatuí tomou de um vassalo do Rei e mandou-lhe
avisar que procurasse a sua divina rainha nas águas do
fundo do mar. O Pobre Rei mergulhou nas águas do oceano
e de repente tudo ficou escuro. Ainda acomodada com o brilho
de todos os que lhe rodeavam, Garatuí, mandou-os em busca
do querido Rei do Universo, chamando o vassalo que mais amava
e pagodearam durante toda a noite; depois de muito se amarem,
mandou que seu amante levasse a lua até à beira
do mar, para que ela pudesse tomar um banho dentro do Poço.
A
Lua, enraivecida, ergueu a palma do junco, espanou-se dentro
das águas e consegui fugir para o infinito, à
procura do Sol. Garatuí abraçou-se com seu amante
e desapareceram na areia macia do Morro dos Amores. O sol acabava
de surgir das águas quando a lua, no outro extremo, ia
mergulhando à procura do seu amado, e nunca mais se encontraram.
Ficou, assim, famosa a criação do dia e da noite,
e o amor de Garatuí ainda verte no Morro dos Amores,
atraindo os casais de namorados para se deitarem na areia macia
onde ela perdeu a virgindade, ficando a fama de que a moça
que for ao Morro dos Amores acompanhada de um rapaz, não
volta mais virgem.